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O luto nas perdas perinatais

Dentre as vicissitudes do período perinatal, as perdas de bebês, independente da semana de gestação, dos dias de vida ou da razão por que acontecem, são as mais insólitas e difíceis de enfrentar.

Entretanto, este é um assunto que não pode ser negado, pois muitos pais passam por esta indesejada situação. Familiares e amigos sugerem nova gravidez ou que “esqueçam” o assunto por um tempo, não abrindo espaço para a palavra e o choro de quem está em luto.

      Sim, luto. Pois mesmo não tendo a oportunidade de conviver com esta criança perdida, os pais, principalmente a mãe que a tinha dentro de si, já tinha um vínculo e imaginava uma vida com seu bebê.

Quando a realidade se impõe e a criança morre antes de nascer ou horas ou dias após o nascimento, interrompe-se abruptamente uma trajetória, às vezes temida, mas desejada rumo à experiência da maternidade e paternidade.

      A forma como cada pai e mãe vai sentir esta perda pode diferir de acordo com muitas variáveis e configurações emocionais da história de vida dos pais. Porém, os sentimentos são intensos e difíceis de suportar como em todo processo de luto. Especificamente no luto perinatal, podem surgir tristeza, revolta e culpa.; desejo temporário de engravidar imediatamente outra vez ou de não mais engravidar.

      O importante é que a mãe, o pai e os familiares permitam-se falar sobre o assunto e chorar suas dores, sem sufocá-las ou negá-las, pois quando isto não acontece o luto pode se tornar mais intenso e duradouro. Deve haver um tempo próprio para os pais guardarem as roupas destinadas ao bebê, o carrinho, o berço.

      Deve haver um tempo para os pais desmancharem o espaço que seria do bebê. Deve haver tempo para assimilar a realidade da perda e elaborar o luto deste filho. O próximo, se vier, será outro e o que foi perdido terá sempre espaço na vida e no psiquismo desta família.

      Caso isto não aconteça e os sintomas de luto e tristeza se tornem depressão, os pais podem pedir ajuda psicológica especializada.

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