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O envolvimento paterno e sua importância no desenvolvimento dos filhos

A família é considerada essencial no desenvolvimento humano, no processo de socialização de seus membros e nos cuidados básicos de sobrevivência que a criança necessita. As figuras parentais desempenham papéis diferentes na criação e no desenvolvimento da criança, conforme o contexto cultural. Tradicionalmente as mães são identificadas como cuidadora primária do filho, já o pai como provedor econômico da família e que desempenhava papel secundário nos cuidados com os filhos e nas tarefas domésticas. No decorrer das últimas décadas, mudanças relevantes ocorreram nas dinâmicas familiares e com isso, o pai ganha maior espaço no cuidado e interação com os filhos (Lamb, 1997; Desen, 2010; Goetz & Vieira, 2010; Bossardi & Vieira, 2015).

       O pai tem influência no desenvolvimento da criança, em diferentes etapas da sua vida: na gestação, parto, pós-parto e no decorrer do desenvolvimento infantil. Na descoberta da gravidez, o homem e a mulher deixam de ser apenas filhos para tornarem-se pais. Neste momento, ambos vivenciam expectativas, temores, alegrias e fantasias. O homem, assim como a mulher, sofre os impactos dessa mudança e um misto de sentimentos e pensamentos surge em relação as responsabilidades com a família, companheira e com o bebê. É muito importante que o homem participe ativamente do momento da gravidez e nascimento da criança (Nogueira & Ferreira, 2012).

      A presença e o envolvimento do pai na gestação são fundamentais para o crescimento e desenvolvimento do bebê. A participação do pai na gestação pode refletir na qualidade da vida conjugal, pois a proximidade do homem e da mulher possibilita maior apoio emocional, auxílio nas atividades relacionadas a esse momento, como consultas e organização das questões relativas ao nascimento do bebê. Pais mais engajados no período da gravidez podem ser mais atentos as necessidades da companheira e estar mais próximos fisicamente e envolvido afetivamente.

       Estudos demonstram que os pais compreendem que a relação que é estabelecida entre pai-bebê inicia-se precocemente, podendo ser um preditor importante para o desenvolvimento do seu filho, tendo intercorrências na vida adulta deste (Vieira et al., 2014; Bossardi et al., 2016). Assim, a presença e participação contínua do pai é essencial para o desenvolvimento, bem-estar físico e psicológico dos filhos.

Referências:

Bossardi, C. N. & Vieira, M. L. (2015). Ser mãe e ser pai: integração de fatores biológicos e culturais. In E. R. Goetz & M. L. Vieira. Novo Pai: percursos, desafios e possibilidades. (pp.15-30). Curitiba: Juruá.

Bossardi, C.N., Gomes, L. B., Bolze, S. D. A., Crepaldi, M. A. & Vieira, M. L. (2016). Desafios de ser pai em uma sociedade em transformação. In L. V. C. Moreira, E. P. Rabinovich & P. C. S. V. Zucoloto (org). Paternidade na sociedade contemporânea: o envolvimento paterno e as mudanças da família. (pp. 81-100). Curitiba: Juruá.

Dessen, M. A. (2010). Estudando a família em desenvolvimento: desafios conceituais e teóricos. Psicologia: Ciência e Profissão. 30. 202-219.

Goetz, E. R. & Vieira, M. L. (2010). Pai real, pai ideal: o papel paterno no desenvolvimento infantil. Curitiba: Juruá.

Lamb, M. (1997). O papel do pai em mudança. Análise Psicológica. 19-34.

Nogueira, J. R. D. & Ferreira, M. (2012). O envolvimento do pai na gravidez/parto e a ligação emocional com o bebé. Revista de Enfermagem Referência. 8. 57-66.

Vieira, M. L., Bossardi, C. N., Gomes, L. B., Bolze, S. D. A., Crepaldi, M. A. & Piccinini, C. A (2014). Paternidade no Brasil: revisão sistemática de artigos empíricos. Arquivos Brasileiros de Psicologia. 2. 36-52.

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