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Negação de Gravidez!

Por convenção a expressão “Negação de Gravidez” agrupa todas as formas de negação da gravidez principalmente inconscientes, que levam freqüentemente à tomada de consciência tardia e brutal do estado de gravidez.

A negação de gravidez pode ser parcial, alguns meses depois do segundo mês de gravidez, ou total, a mulher se dá conta da gravidez no momento do parto.

A definição e caracterização da negação de gravidez não são unânimes e ficam ainda vagas. Diferentes aspectos dificultam essa caracterização: dificuldade de sistematizar os casos, dificuldade de seguir os casos, ausência de seguimento médico durante a gravidez, acontecimento dos partos fora dos hospitais, singularidade clínica de cada caso, desconhecimento da patologia por parte das equipes médicas, entre outras.

Existem variadas opiniões sobre o histórico psiquiátrico das mulheres que tem uma negação de gravidez. Por uma parte, considera- se que são mulheres que não apresentam antecedentes psiquiátricos anteriores à negação de gravidez, pensa-se em um sofrimento psíquico com base na negação e também que a negação a protegeria diante de uma invasão da angústia ligada a este sofrimento (Marinopoulos, 2007).  Por outra parte, como indica o estudo de Brezinka 1994 (citado em Dayan et al. 1999), sobre 27 caso, 48% dos casos apresentam uma patologia psiquiátrica associada (classificação do DSM-III R) dos quais 7% são um trauma psicótico esquizofrênico, 15% depressão maior, 15% traumas da personalidade e 11% deficiência intelectual leve.

Os casos de negação de gravidez são freqüentemente associados a traumas de condutas alimentares, uma relação problemática com o corpo, rejeição de sentir os sinais corporais e uma convicção de uma incapacidade de estar grávida.

No que concerne à freqüência de ocorrência da negação de gravidez tem se visto que a negação parcial ocorre de 1 a 2 sobre 1000 e a negação total de 0,4 a 1 sobre 1000.

O que acontece quando o bebê nasce? Pode ser que a negação seja seguida de um infanticídio. A mulher não dando-se conta de sua gravidez, quando chega o bebê, fica surpresa. Esta presença incomum, não lhe permite conceber a criança como saída de seu corpo, a considerando como um objeto ao qual ela pode dar a morte. Porém, muitos casos não têm um final tão dramático, mesmo que as mulheres estejam em um estado de choque no momento do parto, tal como o parceiro e a família, elas podem decidir guardar o bebê e podem ser felizes tornando-se mães.

Os fatores de risco de uma negação de gravidez são: idades extremas da vida reprodutiva, uma relação instável, uma precariedade social, separação do parceiro no começo da gravidez, conflitos familiares importantes, independência recente da mulher com a saída da casa dos pais (Chaulet, 2011).

Os sinais característicos dos casos de negação de gravidez são: fluxo menstrual não cessa, ausência de sinais de gravidez (nojo, dores dorsais, astenia), ausência de aumento de peso, ausência da percepção de movimentos ativos do feto e poucas mudanças corporais são observadas.

Várias hipóteses explicativas existem para entender a negação de gravidez: ambivalência do desejo, interpretação errada dos sinais corporais, estabelecimento de uma estratégia de defesa psíquica inconsciente. Esta defesa seria uma resposta a alguma situação a qual poderia ser traumatizante para o momento de vida da mulher. A tomada de consciência da gravidez pode ser considerada como uma ameaça a manutenção da integralidade da mulher. Efetivamente o tornar-se mãe pode ser muito conflitivo para a mulher.

Em um caso de negação de gravidez a mulher não passa pelas etapas esperadas de uma gravidez normal de nove meses.

No campo médico, as situações de negação de gravidez são uma fonte de mal-estar. A negação de gravidez perturba a equipe, sendo uma coisa incompreensível, a qual choca, as mulheres podem ser suspeitas de patologias ou de mentirosas. O desconhecimento acerca desta patologia por parte da equipe pode levar os profissionais a desconfiar da sinceridade da mulher. Nesse sentido é preciso conhecer em profundidade a negação de gravidez e acolher esta mulher que por trás da negação apresenta um sofrimento psíquico. 

Bilbiografia

Bayle, B. (2016). Le déni de grossesse, un trouble de la gestation psychique. Toulouse; érès.

Chaulet, S. (2011). Déni de grossesse : Exploration clinique et psychopathologique, prise en charge, étude rétrospective sur 5 ans au CHU d’Angers. Tèse para o diplôma de estado de doctor em medicina. Universidade de Angers, Faculdade de Medicina.

Dayan, J., Andro, G. et Dugnat, M. (1999). Psychopathologie de la périnatalité. Paris : Masson.

Gomez, T. (2014). Negação não psicótica da gravidez : definições, especificidades e explicações. Estudos e pesquisas em psicologia, Rio de Janeiro, 14 (3), pp. 1005-1020.

Marinopoulos, S. (2007). Le déni de grossesse. Edition Yakapé

Fonte da Imagem: Google Images

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