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Maternidade e Sexualidade: uma terra pouco explorada!

Ao falar em gestação e maternidade, pouquíssimo se aborda a sexualidade da mulher e do casal. Em meio a enxoval, chá de bebê, ultrassonografia, acompanhamento médico mensalmente, escolha do nome do bebê, novos papeis a serem exercidos, novas responsabilidades, sentimentos ambíguos, entre outros, pouco se lembra daquela pessoa que está se tornando mãe,a qual ainda é uma mulher com suas necessidades, e de como se constituirá o casal. Embora imersa em um universo diferente do seu dia-a-dia, tal tema deve ser conversado e discutido durante esse período da vida, porque a sexualidade é uma importante fonte de satisfação e bem-estar individual e do casal.

A sexualidade na gestação e no primeiro ano de vida do bebê é algo envolto de mitos, crendices e mistérios que acabam por dificultar o seu exercício de forma saudável e satisfatória para a mulher e para o homem, tais como: “Ah, mas eu ouvi falar que o bebê sabe sim quando tu tá transando”, “Dizem que se transar de noite e sem barulho o bebê não consegue saber o que tá acontecendo”, “Os médicos dizem que não, mas eu tenho certeza que machuca o bebê”, vamos desmistificar alguns desses mitos. Primeiro, cada gravidez é única e o que é indicado para uma, às vezes, pode não ser indicado para outra, mas o bebê não sente e não se machuca, o sexo durante a gravidez é inofensivo quando essa está evoluindo dentro do esperado.

Importante ressaltar que a relação sexual é sempre indicada para o casal, desde que ambos estejam confortáveis em fazê-lo. Durante a gestação o corpo da mulher muda e algumas posições feitas anteriormente podem ser desconfortáveis ou desagradáveis, por isso o diálogo entre os dois é essencial, para que ambos possam expressar o que gostam, e chegar a um acordo de como ter essa relação da maneira mais prazerosa possível. Por causa da alteração hormonal que acontece e de a mulher estar voltada e se preparando para os cuidados com o bebê, o desejo sexual pode diminuir, e por causa disso algumas mulheres que antes tinham um alto desejo sexual, podem o perceber mais rebaixado, porém há relatos também de mulheres que perceberam um aumento do seu desejo sexual durante a gestação, tal fato mostra que mesmo quando se trata de alterações biológicas cada mulher vai ter percepções diferentes sobre essas mudanças, o que altera a vivência das mesmas durante esse período.

A relação sexual não deve ser feita nunca sem que mulher e homem estejam com vontade, pois dessa maneira ela não traz benefícios ou bem-estar, traz frustração e incômodo, o que não é o objetivo. Há também a possibilidade da mulher não se sentir confortável com a relação sexual e não fazer, o que não tem problema nenhum, cada casal, cada pessoa é diferente, então não há uma regra universal: “Faça sexo durante a gravidez!” ou “Não faça sexo de maneira nenhuma durante a gestação!”, cada pessoa tem seus limites e vontade e isso deve ser respeitado sempre.

A satisfação e o prazer sexual não estão somente na penetração, há outras formas de ter prazer e contentamento através da sexualidade, e que podem ser acionadas durante a gestação, por conta do receio de acontecer algo com o bebê, e não conseguir relaxar para que haja a penetração durante o sexo. Autoconhecimento e diálogo são as palavras chave para se ter uma vida sexual que traga satisfação. Cada pessoa e cada casal é diferente, não há regras universais, mas sim, companheirismo, cumplicidade e respeito.

A maternidade traz consigo o desencadeamento de sentimentos conflituosos, e que muitas vezes, exigem a adoção de estratégias para conviver com todas as responsabilidades que passam a existir, dentro de uma sociedade que vê na figura da mãe uma pessoa “imaculada” e até “santificada”, não havendo espaço para a mulher que existia antes desse novo papel assumido.

Tão importante quanto os preparativos da chegada de um bebê, é a mulher não se esquecer de quem ela sempre foi, e deixar um espaço para as atividades que lhe davam prazer dentro dos novos limites, pois o bebê precisa de uma mãe e de um pai que estejam satisfeitos consigo mesmos para poderem dar a atenção, amor e carinho que ele necessitará quando nascer.

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