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Amamentação: um cordão umbilical psíquico

Quando um casal decide ter um filho, muitas transformações vão acontecer, na mulher, no homem e no casal. A mulher grávida vai passar por muitas transformações físicas, psicológicas e sociais. As transformações psicológicas são fundamentais para a instalação do que conhecemos como a função materna, função que permitirá oferecer para o bebê os cuidados necessários para seu melhor desenvolvimento. O bebê, no começo é total e absolutamente dependente de seus pais ou cuidadores. Mesmo que pai e mãe tenham funções diferentes no desenvolvimento do bebê, ambos são fundamentais.

    Um dos elementos fundamentais para o bom desenvolvimento do bebê é a amamentação. A amamentação tem benefícios tanto para o bebê como para a mãe. Além dos benefícios nutricionais há benefícios psicológicos. A partir do 5º e 6º mês de gravidez começa uma pequena produção de leite que vai se incrementar com o nascimento do bebê. Assim, o organismo da mãe já começa a se preparar para a amamentação desde a gravidez.

    O leite materno é considerado o melhor alimento para o bebê, porque nele estão contidos todos os nutrientes que o bebê precisa. O leite materno é de fácil digestão, protege contra infecções (diarreias, infecções respiratórias, alergias), promove o bom funcionamento dos diferentes órgãos, protegendo o tubo digestivo até 1 mês depois do desmame, evita problemas de ortodontia, tem um efeito anti-inflamatório (ajuda nas quedas e cicatrização) e fortalece a agudeza visual, entre outros.

     No que diz respeito a mãe, a amamentação diminui o risco de hemorragias, diminui o tempo de sangramento no pós-parto e facilita que o útero volte mais rápido a seu tamanho original, tem um efeito protetor frente a depressão pós-parto, favorece voltar ao peso anterior à gravidez e diminui as chances de câncer de mama, entre outros.

     Os benefícios deste alimento afetivo são muitos. Um dos fatores principais da amamentação materna é que beneficia o vínculo mãe-bebê. Este vínculo é fundamental no desenvolvimento psicoemocional do bebê. Sabe-se que o desenvolvimento precoce do bebê é fundamental para a vida. Nestas primeiras etapas encontram-se as bases do desenvolvimento do ser humano. Uns dos elementos fundamentais do ser humano são os vínculos que estabelecem com outros, dentre estes vínculos, a confiança é um elemento fundamental. A amamentação permite desenvolver a confiança no bebê e na mãe.

      Quando o bebê nasce, passa de um meio dentro do ventre da mãe, onde todas as suas necessidades estão cobertas, a um novo meio, desconhecido. O papel da mãe é fundamental para que este possa reencontrar seu ambiente conhecido e onde suas necessidades serão cobertas.

     Quando falamos de amamentação, estamos falando de um cordão umbilical psíquico (Feliciano, 2009). O bebê que está em contato com o peito da mãe, está em contato com o calor, com o cheiro, que ele conhecia antes de nascer. Quando a mãe amamenta seu bebê vai se tecendo um vínculo íntimo e único, que brinda um sentimento de prazer, e isto assenta as bases de um vínculo seguro. Esta sensação acalma o bebê o que se relaciona diretamente com a regulação emocional. No começo a mãe e o pai são quem ajudam na regulação emocional do bebê, o fato dele se acalmar em situações de desconforto por fome, frio, sono, necessidade de trocar a fralda, etc. A mãe e o pai irão reconhecendo aos poucos as necessidades do bebê para cobri-las. Isto assenta as bases para que o bebê, a futura criança e adulto possa regular-se sozinho frente as emoções e frustrações.

    Bem, sabemos que a amamentação tem benefícios fundamentais para a mãe e o bebê, porém este processo não está isento de dificuldades. Neste sentido, é importante conhecer alguns elementos que possam nos ajudar neste processo. A amamentação produz uma sensação de bem-estar tanto para o bebê quanto para a mãe. A ocitocina, o hormônio relacionando com sensações de prazer e bem-estar, vai ser liberada no momento de amamentar. Uns dos elementos que tem se estabelecido desde a psicologia para o bom desenvolvimento da amamentação é o convencimento e disposição da mãe para amamentar. No começo podem aparecer certas dificuldades e dúvidas, como por exemplo se o bebê está mamando bem ou não, se o leite está entrando, se o bebê está sendo alimentado, com que freqüência dou de mamar, etc.

    Estas perguntas aparecem porque o bebê e mãe estão se conhecendo, são familiares e desconhecidas ao mesmo tempo. A mãe está lidando com o bebê real e não com o que ela tinha imaginado durante a gravidez e este vínculo vai tomar algum tempo para se estabelecer. É importante saber que é um vínculo que está se construindo, como todo processo de aprendizagem toma tempo. A mãe pode se sentir às vezes insegura e isto faz parte deste processo. Tem que se passar por isso para poder estabelecer um vínculo seguro.

    A amamentação pode ser uma atividade muito demandante, porque implica uma dedicação importante e isto somado a falta de sono. Então, é importante que as mães estejam cientes das mudanças identitárias pelos quais estão passando. Quando um bebê nasce, nasce uma mãe, um pai, duas mães, dois pais. São muitas as transformações pelas quais estão passando, o que pode implicar momentos de insegurança, dúvidas e angústias. O cotidiano vai mudar radicalmente, vão se instalar novos ritmos, novas rotinas. Neste sentido é fundamental um verdadeiro desejo da mulher para amamentar, e não como obrigação, porque isto vai sustentar o processo de amamentação frente aos sentimentos conflituosos que possam aparecer no processo.

     Aqui o pai tem um papel fundamental na contensão da mãe. No processo da mãe amamentar o bebê, o pai pode se sentir ciúmes ou sentir-se deslocado pelo bebê. Estes sentimentos também fazem parte deste processo de transformação. É importante que o pai entenda os benefícios que a amamentação tem para seu filho ou filha como para sua mulher. Ele também tem um papel fundamental no desenvolvimento do bebê e na contensão da mãe. A mãe vai passar por momentos de cansaço e de insegurança, o pai tem o papel de dar segurança para a mãe. É importante o pai se sentir parte do processo e que consiga entender seu papel fundamental, ele em nenhum caso está fora do processo. Mãe e pai trabalham em equipe para o bom desenvolvimento do bebê.

    Coisas práticas que o pai pode fazer: dar água a mãe quando está amamentando, passar uma almofada para acomodar o bebê, aliviar a cólica, apoiar a mãe falando para ela que está fazendo bem, palavras de alento e levando em consideração a exigência do processo de amamentação para mãe. Ao sustentar a mãe estará sustentando o bebê. O nascimento de um bebê é uma experiência muito intensa para a mãe e para o pai, e, é fundamental que a mãe se sinta apoiada pelo pai, acompanhada e não julgada por ele.

    Outro elemento fundamental é a rede de apoio com que o casal conta. É importante saber com quem eles contam e onde eles podem pedir auxílio, em caso das dificuldades aparecerem. A informação durante o período pré-natal é fundamental tanto para a mãe quanto para o pai, pois permite prever certas situações e estar um pouco melhor preparados para afrontá-las. Existem coisas práticas que a rede de apoio pode ajudar ao casal como organizar a casa, pagar contas, fazer o mercado, levar o outro filho na escola, fazer comida, etc.

    Considerando os benefícios da amamentação, para o bebê e para a mãe, físicos e psicológicos, a amamentação é fundamental para o bebê. Isto não quer dizer que não vão aparecer certas dificuldades, o importante é o como enfrentá-las, considerando que se trata de um processo e considerando o apoio fundamental do pai e da rede de apoio. Pois quando a mãe, pai e filho consigam se ajustar, isto trará muitas sensações de prazer para todos e muito benefícios para o melhor desenvolvimento do bebê.

Referências:

Feliciano, D. (2009). Para alem do seio. Uma proposta de intervenção psicanalítica pais-bebê, a partir da escuta dos sentidos ocultos nas dificuldades de amamentação, como auxiliar no desenvolvimento. Tese Doutorado em Psicologia- IP-USP, São Paulo.

Feliciano, D. (2003). A amamentação e seus enredamentos psíquicos. Dissertação Mestrado em Psicologia- IP-USP, São Paulo

http://falecomigo.blogfolha.uol.com.br/2013/09/03/amamentacao-e-psiquismo/

www.chilecrececontigo.cl

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