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A chegada de um bebê: um doce crise familiar!

Receber um filho na família traz consigo inúmeros desafios que precisam de uma rede que proporcione apoio a toda a família.

A chegada de um bebê faz parte de um momento mágico, que costuma sensibilizar a todos. Com ele um turbilhão de sentimentos é experienciado pela família, e por mais que tudo seja vivido de forma consciente e esperado, o bebê transforma a vida de todos os membros, que precisarão se reorganizar a partir desse novo ser, que veio ocupar seu lugar.

Trata-se de uma fase repleta de transformações, no qual ocorrem duas importantes passagens: “ser esposo/esposa” para “ser pai/mãe” e “ser filho” para “ser pai/mãe”. E nesse processo muitas adaptações serão necessárias. Os pais se veem invadidos pela criança pequena, ao mesmo tempo que precisam continuar encarando desafios externos como trabalho, sustento e moradia, sentindo sua relação conjugal colocada em risco frente as inúmeras funções que precisam passar a exercer. É comum que nessa fase haja uma diminuição da satisfação conjugal, um aumento da necessidade de bens de consumo e recursos financeiros, e o estabelecimento de novos laços com a família de origem. Além disso, o casal passa a se preocupar com o filho e seu desenvolvimento.

Adaptar-se a esses novos desafios não é tarefa fácil. Cada um desses novos papéis é construído internamente, desde a infância, a partir dos exemplos que se teve, das vivencias de cuidado experimentadas, das brincadeiras de faz de conta etc, e essa experiência tem seu auge com a chegada do bebê, onde finalmente os pais podem viver esses novos papeis. A esse processo soma-se ainda o questionamento do que farão de igual ou diferente de seus próprios pais.

Mas não são só os pais que precisam se adaptar ao novo membro. Toda a família passa por uma profunda mudança no momento em que uma nova criança passa a fazer parte dela. Enquanto os filhos precisam se tornar pais, pais precisam dar lugar aos filhos - passando a ocupar o lugar de avós, assim como tios, tias, primos, irmãos... todos passam a exercer novas funções e precisam encontrar um novo lugar dentro da família. Cada filho que chega, seja ele o primeiro, segundo, terceiro, etc, sempre envolve a redefinição de papéis e a reestruturação de toda família.

Nessa hora é necessário que haja uma rede de apoio que possibilite que esse processo ocorra, permitindo a integração deste novo membro. Precisa haver o cuidado, principalmente com os novos pais/mães, para que eles consigam vencer a crise familiar, se reestruturando de forma a auxiliar o novo indivíduo a se desenvolver de forma saudável e segura. Como diz o provérbio africano: “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”. Como queremos crianças emocionalmente saudáveis quando vivemos em uma sociedade cada vez mais individualista e solitária?

Bibliografia:

CARTER, B.; MC GOLDRICK, M. (2001) As Mudanças no Ciclo de Vida Familiar: uma estrutura para terapia familiar. Maria Adriana Veríssimo Veronese (trad) 2ª. Ed. Porto Alegre: Artes Médicas.

BRANDT, M.D.J.O. (2001) Tornando-se pais: famílias com filhos pequenos. In. CARTER, B.; MC GOLDRICK, M. As mudanças no ciclo de vida familiar: Uma estrutura para a terapia familiar (pp. 206-222) 2a. ed. Porto Alegre: Artes Médicas.

CERVENY, C.M.O.; BERTHOUD, C.M.E. (1997) Família e Ciclo Vital: nossa realidade em pesquisa. São Paulo: Casa do Psicólogo.

DESSEN, M.A.; BRAZ, M.P. (2005) Rede social de apoio durante transições familiares decorrentes do nascimento de filhos. In. Psicologia: Teoria e Pesquisa. 16(3):01-19.

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